SEMI-AUTOBIOGRAFIAS TELEVISIVAS E AUTONOMIA NARRATIVA

MODOS OUTROS DE CONTAR E REPRESENTAR NAS SÉRIES I MAY DESTROY YOU E BETTER THINGS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53450/2179-1465.RG.2021v12i2p101-127

Palavras-chave:

ficção seriada televisiva, autoficção, narrativa

Resumo

Neste artigo, trago uma análise inicial de como I May Destroy You e Better Things trazem histórias e representações que, atravessadas pelas identidades de suas criadoras-roteiristas-protagonistas Michaela Coel e Pamela Adlon, sustentam um certo nível de autonomia narrativa (MENDES, 2008) ao recusar padrões tanto representacionais quanto textuais e estruturais propagados pela indústria televisiva americana e suas produções hegemônicas. Dando continuidade à minha pesquisa dedicada a séries semi-autobiográficas, debato como esses fatores de transgressão estão ligados também à maneira como se operacionaliza um processo de autoficcionalização ultrapersonalista no roteiro de tais produções, que vem se proliferando cada vez mais na TV.

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Biografia do Autor

João Pedro Pinho, Universidade Federal Fluminense

Roteirista. Doutorando no PPGCOM-UFF (linha Mídia, Cultura e Produção de Sentido), por onde também obteve o título de Mestre. Participante do grupo de pesquisa TeleVisões (UFF). Orientação: Mayka Castellano. 

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Publicado

2021-11-04

Como Citar

PINHO, J. P. SEMI-AUTOBIOGRAFIAS TELEVISIVAS E AUTONOMIA NARRATIVA: MODOS OUTROS DE CONTAR E REPRESENTAR NAS SÉRIES I MAY DESTROY YOU E BETTER THINGS. Revista GEMInIS, [S. l.], v. 12, n. 2, p. 101–127, 2021. DOI: 10.53450/2179-1465.RG.2021v12i2p101-127. Disponível em: https://www.revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/617. Acesso em: 29 maio. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Desafios, tendências e pesquisas. Roteiros Audiovisuais